18ª EDIÇÃO DAS MOSTRAS CULTURAIS DA SEMANA DO RIO SÃO FRANCISCO REÚNE DIVERSIDADE CULTURAL EM PARATINGA
A Culminância da 18ª edição das Mostras Culturais da Semana do Rio São Francisco levou ao Centro do Saber uma diversidade de artistas e grupos culturais nos dias 21, 25 e 26 de setembro.

O Centro do Saber, em Paratinga, foi palco de uma programação especial nos dias 21, 25 e 26 de setembro de 2026, durante a culminância da 18ª edição das Mostras Culturais da Semana do Rio, realizada pela Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco (FUNDIFRAN). A programação, iniciada sempre a partir das 19h, reuniu artistas, grupos culturais, poetas, músicos, estudantes, artesãos, representantes de comunidades rurais e público de diferentes localidades do município e território Velho Chico.
A culminância marcou mais uma etapa de um projeto que, ao longo de sua realização, promoveu atividades de formação e valorização dos saberes e fazeres presentes nas comunidades do Vale do São Francisco. A programação final reforçou a proposta de aproximar diferentes expressões culturais e criar espaços de encontro entre artistas, grupos, comunidades e público em geral.
ESPETÁCULO “CARRANCA” ABRIU A PROGRAMAÇÃO
No dia 21 de setembro, a programação teve início com a apresentação do espetáculo “Carranca – da Proa do Barco para o Palco”, com o Grupo Mistura, formado por Gilberto Morais, Vânia Nogueira e Cléber Eduão. O espetáculo apresentou uma abordagem sobre a história e a tradição das carrancas, esculturas de madeira tradicionalmente colocadas nas proas das embarcações do Rio São Francisco. A montagem também chamou a atenção para a importância da preservação dos conhecimentos relacionados a esse ofício e para a necessidade de manter viva a memória dos mestres e mestras que contribuíram para a construção da identidade cultural ribeirinha.

“Carranca” foi recentemente reconhecido com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN/Ministério da Cultura, e levou ao palco do Centro do Saber uma narrativa construída a partir da memória, da cultura popular e das relações estabelecidas entre as comunidades e o Velho Chico.
MÚSICA, POESIA E CULTURA POPULAR MARCARAM O DIA 25
A programação continuou no dia 25 de setembro, reunindo diferentes linguagens artísticas e expressões culturais. A noite contou com a participação da Ciranda Embolada, projeto musical experimental que reúne cantoria, dança e poesia e dialoga com influências do coco, da ciranda e de outros ritmos da cultura popular.
Também participaram da programação o Grupo Raízes do Choro, de Paratinga; Cevisa Harmonia; Ivan Carinhanha; o cantor e compositor João Pereira; o poeta e cordelista Josemário Fernandes; e a poeta Crisna Imhof.
A diversidade de trajetórias e linguagens marcou a noite. Entre as apresentações estiveram a música regional, o choro, a cantoria, a poesia e a literatura, valorizando artistas que desenvolvem seus trabalhos a partir das experiências e referências culturais do território.
O Grupo Raízes do Choro, formado por músicos com trajetórias ligadas à música e à centenária Sociedade Filarmônica 13 de Junho, trouxe para a programação a tradição do choro. Já Ciranda Embolada aproximou música, poesia e dança, enquanto os demais artistas apresentaram trabalhos relacionados à produção musical autoral e literária regional.
CULTURA POPULAR, JUVENTUDE E MÚSICA MARCARAM O ENCERRAMENTO
No dia 26 de setembro, a programação reuniu ainda mais expressões da cultura do Vale do São Francisco. A noite contou com a participação da Sociedade Filarmônica 13 de Junho de Paratinga, instituição com mais de um século de história e importante referência da tradição musical do município.
Também esteve presente o Coral Vozes do Encanto, formado por estudantes do Colégio de Tempo Integral Odontina Laranjeira de Souza, de Ibotirama. A participação representou mais uma aproximação entre juventude, educação e cultura, valorizando a produção artística desenvolvida no ambiente escolar.
A programação contou ainda com Paulo Araújo, Os Amigos do Boi da Privintina e Seu Limiro, trazendo para o palco manifestações culturais vinculadas à memória e à identidade das comunidades do Vale do São Francisco. A participação do Boi da Privintina (representado por Paulo Araújo) e Seu Limiro (representado pelo prof. Cícero Félix da UFOB) destacaram o processo de revitalização dessa manifestação e a permanência de referências da cultura popular na memória das comunidades.
A poesia esteve representada por Sthéfany Nascimento e Celo Cardoso, ampliando a presença da literatura na programação. Sthéfany Nascimento apresentou um poema de sua autoria, intitulado “Versos Identitários”, e Celo Cardoso, poeta, escritor afrofuturista e produtor cultural, trouxe uma produção marcada por temas relacionados à memória, identidade, ancestralidade e às infâncias negras e quilombolas.
A noite também contou com a Banda Afluente, reunindo músicos em um repertório de canções autorais, música regional e MPB; com Wébia Sampaio, cantora e compositora que trouxe um pouco das suas composições e vivências e do regionalismo; e com Neudo Oliveira, Pernambucano, que participou acompanhado do músico e compositor ribeirinho Marcelo Nunes, conhecido por seu trabalho relacionado ao Vale do São Francisco.
ARTESANATO E CULINÁRIA TAMBÉM FIZERAM PARTE DA MOSTRA
Além das apresentações artísticas, a culminância valorizou os saberes relacionados ao artesanato, à produção comunitária e à culinária tradicional. Nos dias 25 e 26 de setembro, participaram grupos e comunidades de Paratinga, entre eles representantes das comunidades de Carapina, Ponte, Pedra Comprida, Alagoinhas, Quilombo do Barro, Lagoa do Jacaré e Carrapicho, além do Grupo de Mulheres Artesãs Mãos que se Entrelaçam e do Grupo Sabor Raiz da Associação Remanescente Quilombola Lagoa do Jacaré.
A presença desses grupos reforçou uma característica importante das Mostras Culturais da Semana do Rio São Francisco: a valorização da cultura não apenas como expressão artística apresentada no palco, mas também como conhecimento produzido nas comunidades, nos espaços de trabalho, na culinária, no artesanato e nas experiências coletivas.
UMA CELEBRAÇÃO DA DIVERSIDADE CULTURAL DO VELHO CHICO
Ao reunir diferentes gerações, linguagens e manifestações culturais, a culminância da 18ª edição das Mostras Culturais da Semana do Rio São Francisco reafirmou a importância de criar espaços permanentes para a circulação da produção cultural do Velho Chico e região, além de dialogar com artistas residentes em Minas Gerais e Pernambuco.
Durante as noites de culminância, o Centro do Saber recebeu teatro, música, poesia, literatura, choro, cultura popular, manifestações tradicionais, artesanato e culinária, reunindo artistas e grupos de diferentes comunidades e municípios. A programação também possibilitou o encontro entre artistas já reconhecidos em suas trajetórias e novos talentos, incluindo jovens estudantes e representantes de comunidades tradicionais.
Para a FUNDIFRAN, a realização das Mostras Culturais representa a continuidade de um trabalho voltado à valorização da cultura, da memória e dos saberes do povo do Vale do São Francisco, fortalecendo a circulação cultural e a participação das comunidades na construção e preservação de suas próprias referências culturais.
A 18ª edição contou com apoio local da Secretaria Municipal de Cultura e Promoção da Igualdade Racial, Secretaria Municipal de Educação e Prefeitura de Paratinga, além do apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda.
A FUNDIFRAN agradece aos artistas, grupos culturais, poetas, músicos, mestres e mestras da cultura popular, artesãos e artesãs, comunidades, parceiros(as), equipes de produção e, especialmente, ao público que participou das atividades e contribuiu para fazer da 18ª edição das Mostras Culturais da Semana do Rio São Francisco um espaço de encontro, expressão e valorização da diversidade cultural do Velho Chico.




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